Dois anos e meio, 30 meses, 900 dias, 21.600 horas. É o tempo-limite, a bomba-relógio, o copo transbordando à espera da gota d’água.
Eu já tinha reparado que não conseguia ficar muito mais de 2 anos e meio em uma empresa. Nunca dei muita bola pra isso, pois sabia que era uma característica da Geração Y. E sendo uma geminiana da Geração Y, essa busca pela novidade estava mais que justificada.
Só que parece que 2012 veio para esclarecer as dúvidas e encontrar respostas. Ao conversar com uma amiga, descobrimos que a mesma relação que eu tenho com trabalho, ela tem com namorado, por mais frígido que possa parecer em ambos os casos. Dava 2 anos e meio, e a admiração passava. A minha, pelo trabalho que eu desenvolvia, e a dela, pelo namorado. E partíamos para outra nova paixão.
O problema é que essa mudança de ciclo cansa. Que graça tem trabalhar em um projeto no qual você sempre acreditou, mas que depois de um tempo, começa a perceber as incoerências? Que graça tem você namorar uma pessoa que, depois de um tempo, você começa a não suportar os defeitos?
Talvez seja uma oportunidade pra exercitar a paciência e a conviver com os defeitos visíveis que até então tinham sido escondidos pelo tempo da paixão. Dizem que 2 anos e meio é o tempo da paixão, né? Também dizem que depois desse período, vira amor. Mas será que o amor é tão sem graça assim? Será que a gente tem que trabalhar pra paixão não acabar? Ou trabalhar pra conviver no amor? Ou, quem sabe, se desprender do passado, aprender a conviver com as crises existenciais a cada 2 anos e meio, e admitir que esse é o caminho da felicidade?
“Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém” – Caio Fernado Abreu
Há por volta de 2 semanas eu entrei numa fase de reflexão. Foi bem do nada. Não comecei a fazer meditação, yoga, nem a frequentar reuniões que discutam espiritualidade ou afins.
Só comecei a sentir uma mudança no modo de enxergar o mundo. Nem tudo azul, nem depressivo. Nessas duas últimas semanas, meio que entrei numa inércia consciente. Comecei a não me abalar com o que acontecia. A viver a vida como aquele operário que faz o trabalho bem feito, volta pra casa, assiste à TV e vai dormir pra acordar no outro dia e ter a mesma rotina. Não que eu tenha tido essa rotina, mas vivi essas duas últimas semanas com essa sensação, o que me proporcionou a oportunidade de refletir sobre a vida.
Analisei tudo racionalmente e percebi que não tinha motivos pra eu estar inerte. Cheguei a pensar que era falta de vitamina, mas cheguei à conclusão que era um período necessário para um amadurecimento. Muita gente passa por isso em cultos, missas, seitas, e pra mim veio do nada.
É uma fase estranha, mas eu to gostando. Muitos amigos nem sabem que eu to passando por isso, mas – também do nada – estão me dando a maior força, mandando mensagens fofas, me chamando pra um café…
Coisas estranhas estão acontecendo. Desde eu ser cantada por uma senhora (sim, senhora) de 74 anos, até eu ter sido indicada ao Prêmio de Mulher Empreendedora do Ano. Pensando bem… Quanta coisa!
Fui assaltada, comecei a fazer drenagem linfática, assisti “Meia-Noite em Paris”, “O silêncio em apuros”, “Medianeras”, “Ladodalua e Quinteto em Branco e Preto”, acompanhei a gravação de músicas em estúdio, fui visitar uma amiga no hospital, fui conhecer a casa de um casal de amigos de quem eu fui madrinha de casamento. Passei por tudo isso com um olhar de contemplação. Cada conversa que eu tive com meus amigos foi essencial para essa minha fase. E também, curiosamente, cada conversa que eu não tive foi essencial para essa reflexão.
Coisas que eu tinha certeza, hoje, são incertas na minha vida. Coisas que ontem entrariam para o espaço da preocupação, hoje entram para o espaço da preguiça. Isso não é nada fácil, nem é o que eu queria que fosse, mas é o que está acontecendo. Bate aquele desconforto, aquela vontade de chorar, mas algo me impede de manifestar meus sentimentos. Algo me mantém na inércia. Pelo menos por enquanto.
Eu acho que alguma reviravolta vai acontecer. Algum “boom” eu vou ouvir. E essa fase é uma preparação para que eu viva a próxima explosão com mais leveza e serenidade. Tudo isso porque, quando Deus me mandou pra cá, eu pedi uma viagem com “MUITA EMOÇÃO”.
- Falta de ar, dor no peito. Taquicardia, insônia.
- Problema cardíaco? Vai se tratar!
- Problema na alma! Vem me curar?
Sem mágoas, sem brigas, sem desespero, sem dúvida
Sentimento
Sentido
Sem
você
“Ser mulher é foda”, como diz uma amiga minha.
E é mesmo. A gente sofre, viu! Sofre e tá aí, na luta, com mais vontade de viver do que muito macho por aí. Não é qualquer gripezinha que abala a gente.
Gripe, não. Mas cólica… Ai, cólica não é de Jesus, gente. É uma dor que só as mulheres sabem como é. Insuportável, irritante, fria e calculista.
E só as mulheres a sentem, né? Deve ter um motivo. O motivo é a felicidade que a gente sente quando ela some. Aí sim. Quando a cólica acaba, vem uma felicidade, uma vontade de viver, algo inexplicável. Que só a gente sente.
Amigo-irmão não é a mesma coisa que melhor amigo. Nem todo B é A. Há melhores amigos que não são amigos-irmãos, mas isso não quer dizer que haja menos amor entre eles. São apenas relações diferentes. Mas A é sempre B.
Com os amigos-irmãos, não se desenvolve uma relação. Essa relação já existia antes de se conhecerem. No começo, eles se surpreendem com as conexões, mas depois se acostumam e se surpreendem com a surpresa dos outros.
Amigos-irmãos não são os que se conhecem há mais tempo, porque o tempo deles não é cronológico. Eles podem passar anos sem se ver e quando se encontram, têm a impressão de que se viram no dia anterior. Eles passam o dia juntos e depois de meia hora, quando voltam pra casa, bate aquela saudade que parece que ficaram anos sem se ver.
A distância não é medida em metros, pois eles nunca estarão longe um do outro, por mais que morem em países diferentes.
Assim como os melhores amigos, o amigo-irmão te dá conselhos, te escuta, te admira, mas às vezes você tem a impressão de que ele te conhece melhor do que você mesmo. E pode ter certeza disso!
O amor dos amigos-irmãos é leve e não cria uma relação de dependência. É um amor mútuo que, juntos, eles amam o mundo.
Às vezes eu penso: “Será que o problema sou eu?”, “Será que eu que to sem paciência?”, “Será que eu que devia fazer isso ou aquilo?”.
E pra descobrir isso, só conversando. E pra conversar, só com tempo. E pra ter tempo, só querendo. E pra querer, só sabendo. E pra saber, só descobrindo.
Hoje eu acordei, fui até a cozinha, preparei meu capuccino e olhei pela janela. Pela primeira vez, vi o sol nascer, refletindo sobre as águas daquele mar puro e limpo. O céu estava cheio de nuvens, resquícios da tempestada do dia anterior.
Sentei no parapeito e, assim como o sol, refleti. Refleti sobre a vida, não sobre o mar. Refleti sobre o dilúvio de informações, não sobre a tempestade. Refleti sobre o que foi, o que fui.
Durante essa minha viagem quase astral, ele acordou, me viu refletindo e pôs-se ao meu lado. Passou seu braço sobre o meu ombro e me abraçou, encostando minha cabeça sobre seu peito. Podia ouvir as batidas do seu coração. Senti uma segurança e uma tranquilidade eterna.
Juntos, observados pelo sol, começamos a construir o nosso mundo. Um mundo onde não era errado falar o que sente, não era errado acreditar, não era errado apenas expor a própria opinião. Nesse mundo, opiniões divergentes não resultavam em brigas, mas em crescimento mútuo. Chorar era a expressão de um sentimento, e não sinal de fraqueza.
Os habitantes desse nosso mundo eram todos amigos. A loucura era saudável e a normalidade não existia nem no dicionário. Os desentendimentos eram resolvidos com um abraço-amigo, e o amor… Ah, o amor… Era renovado a cada dia. Não… A cada hora, a cada minuto, a cada segundo! Era como o ar: essencial para a vida. E todos tinham plena consciência disso. O amor era cotidiano, e não utópico. Assim como a gente não precisa se lembrar de respirar, a gente não precisava se lembrar do amor para amar.
O sol começava a esquentar. Levantei a cabeça e olhei para ele. Nos vimos refletidos, um no olhar do outro, iluminados pelo sol e amados para sempre. Amados neste mundo que não era só nosso, mas de todos que acreditam. Um mundo onde a tempestade passa e o dia renasce.
Sim, a gente acredita em um mundo possível.
O ver, no vir
O vir, no virar
Se eu vier, verei
Quando eu virei, te vi?
Se você me viu, vai vir?
Quando você vir, quero vir
O ver se confunde no vir
E me confundem no existir
Sim, eu ainda me assusto com a hipocrisia humana. Sim, apesar disso, eu continuo acreditando no ser humano.
Quando eu comento sobre poliamor, ninguém, mas nin-guém concorda comigo, pelo menos não na totalidade da teoria poliamorística.
Não, não fui eu que inventei o poliamor. Eu tinha uma ideia meio diferente de relacionamentos e quando eu falava sobre isso, todos diziam que eu estava viajando. E eu achava que realmente estava. Até que uma amiga minha, queridíssima, me enviou um link de um site que falava sobre um tal de “Poliamor” e que ela tinha se lembrado de mim quando leu. Li e me identifiquei profundamente.
O Poliamor não é a mesma coisa que relacionamento aberto e também não é poligamia. O conceito do Poliamor (pelo menos o que eu acredito) é muito mais amplo. O Poliamor tem, como conceito principal, o fato de que o amor deve ser livre e dedicado a todas as pessoas.
Por exemplo, suponhamos que eu eu goste de um homem e esse homem gosta de outra menina. Paralelo a isso, tem um cara que gosta de mim, que me faz bem, mas que eu não gosto tanto quanto eu gosto do outro. Por que eu tenho que escolher entre os dois???
Se eu ficar com o primeiro, ele vai me fazer feliz só por permitir eu ficar ao lado dele! E se eu ficar com o segundo, eu vou fazê-lo feliz pelo mesmo motivo citado na situação anterior e ele vai me fazer feliz, porque ele gosta de mim. E, oras, por que o primeiro também não pode ficar com a menina que ele gosta? Ele também vai fazê-la feliz! Não é justo deixar o amor vivo somente entre duas pessoas. Isso tem que ser compartilhado entre o maior número de pessoas possível.
Aí eu falo isso e as pessoas me olham torto, me acham promíscua.
Falo isso, ouço aquilo e descubro que, a cada dia, aumenta o número de homens que traem suas esposas, de mulheres que ficam com homens comprometidos.
Quando eu recrimino essas atitudes, o pessoal fala: “Ué, mas não é você que é a favor do Poliamor?”
“Não… eles não entenderam…”. E lá vou eu explicar, com mais detalhe:
No Poliamor, um sabe dos amores do outro. Os dois sabem que pode haver outra pessoa e, se houver, vão saber quem é, vão conversar sobre isso. Um casal pode até mesmo se relacionar nesse conceito do Poliamor e nem ter outra pessoa na parada. Apenas sabem que pode surgir alguém que balance o coração dele ou do outro. E, se o balanço for incontrolável, pode surgir uma relação. Assim como, se for apenas um flerte, pode não surgir nada. Tudo é conversado com muita sinceridade, jogo aberto.
uma vez li uma matéria em uma revista, que falava sobre a Simone de Beauvoir. A matéria dizia que ela e o Sartre tinham um relacionamento assim (é claro que eles não falaram que era Poliamor). A matéria fazia uma entrevista com a Fernanda Montenegro, que comentou que ela tinha esse mesmo tipo de relacionamento com o Fernando Torres, apesar de um não ter precisado ficar com nenhuma outra pessoa. Eles conversavam bastante sobre seus sentimentos.
O que é bem diferente do que acontece nos relacionamentos “tradicionais”. O cara casado fica com uma mulher de quem ele gostou (ok, pode ser amor, não estou julgando o sentimento de ninguém), e a esposa não fica sabendo de nada. Não, isso não é Poliamor. É traição!
No Poliamor, há lealdade, amor de verdade.
O monoamor às vezes, é egoísta.
Que a sociedade esteja preparada para o Poliamor!